domingo, 6 de agosto de 2017

Ainda a propósito do quanto mudamos na vida e do quanto as nossas condicionantes contribuem para mudarmos, li este pedaço de texto, que me pareceu tão correcto.

"Quando, por opção mais ou menos forçada, somos privados do nosso contexto, da nossa realidade, da nossa identidade e das nossas origens, tornamo-nos pessoas irrevogavelmente diferentes, enriquecidas pelas potencialidades do novo, em que outras “gentes e ares” trazem mais conhecimentos sobre as dinâmicas psicossociais onde nos tentamos inserir e, simultaneamente, empobrecidas pelo afastar do nosso porto-seguro."

Num momento de nova mudança na minha vida e com todas as incertezas que isso levantam, existe no entanto uma certeza, gosto da pessoa que me tornei no caminho. Muito ainda para aperfeiçoar (claro), mas sempre em processo de melhoria (pelo menos para mim).

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Conselhos

"Se apenas vos pudesse dar um conselho para o futuro, diria: usem protector solar. As suas vantagens a longo prazo já foram provadas cientificamente, ao passo que o resto dos meus conselhos não têm outra base mais segura do que a minha atribulada experiência.
Agora, vou dar-vos os meus conselhos para o futuro.
Gozem a força e a beleza da vossa juventude. Mas deixem lá, que só compreenderão a força e a beleza da vossa juventude quando a tiverem perdido.
Daqui a 20 anos hão-de olhar para os vossos retratos e ver que registaram coisas que vocês agora não conseguem entender: as possibilidades que se vos abriam e o aspecto fabuloso que tinham! É que vocês não são tão gordos como imaginam.
Deixem de se preocupar com o futuro, ou então preocupem-se mas saibam que isso vale tanto a pena como tentar resolver uma equação de álgebra a mascar pastilha elástica.
Os verdadeiros problemas da vossa vida serão coisas que nem sequer passaram pelas vossas cabeças preocupadas. Do tipo daquelas que surgem às 4 da tarde numa terça-feira qualquer.
Façam todos os dias uma coisa daquelas que mete medo.
Cantem.
Não se tornem levianos com o coração dos outros nem aceitem que o sejam com o vosso.
Usem o fio dental.
Não sejam invejosos: às vezes vamos à frente, outras vamos atrás. A corrida é longa, mas a verdade é que é uma corrida contra vós próprios. Lembrem-se dos elogios que vos fizeram, esqueçam os insultos. (Se conseguirem, digam-me como é que fizeram.)
Guardem as vossas velhas cartas de amor, queimem antes os extractos do banco.
Façam “stretch”.
Não tenham remorsos se não souberem o que querem fazer da vida. As pessoas mais extraordinárias que conheci, não sabiam, aos 22 anos, o que queriam fazer dela. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço, ainda não sabem...
Tomem bastante cálcio.
Cuidem dos vossos joelhos Que vos vão fazer muita falta.
Talvez se casem, talvez não. Talvez tenham filhos, talvez não. Talvez se divorciem aos 40 anos, talvez dancem sem parar no vosso 75º aniversário de casamento.
Façam o que fizerem, não se entusiasmem demais, nem se censurem.
As vossas escolhas são meio caminho andado, tal como acontece com toda a gente.
Gozem o vosso corpo, usem-no de toda a maneira que puderem! Não tenham medo dele, nem do que os outros pensam dele: o vosso corpo é o instrumento mais fantástico que jamais terão!
Dancem, ainda que não tenham onde dançar, a não ser na vossa sala de estar!
Leiam todas as instruções, mesmo que não as sigam.
Não leiam revistas de beleza, porque se sentirão mais feios!
Dêem-se ao trabalho de conhecer os vossos pais, nunca se sabe quando vos deixarão para sempre!
Sejam simpáticos com os vosso irmãos, eles são a melhor ligação que têm com o passado e os que, mais provavelmente, se manterão ao vosso lado no futuro.
Compreendam que os amigos vêm e vão.
Aguentem-se com os poucos e os melhores que têm.
Trabalhem muito para preencher as lacunas em geografia e no estilo de vida.
À medida que forem envelhecendo, mais vão precisar das pessoas que conheciam quando eram novos.
Vivam uma vez na cidade de Nova Iorque, mas partam antes que ela vos torne duros!
Vivam uma vez na Carolina do Norte, mas partam antes que ela vos torne moles demais.
Viajem.
Aceitem certas verdades inalienáveis.
Haveis de passar por crises, os políticos não deixarão de vos endrominar, vocês também vão envelhecer. Quando isso acontecer, vocês também vão dizer que quando eram novos os preços eram razoáveis, que os políticos eram mais sérios e que as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeitem os que são mais velhos que vocês.
Não fiquem à espera que alguém vos sustente. Talvez venham a ter bens ou casem com alguém rico, mas nunca se sabe se tudo isso desaparecerá...
Não se preocupem demais com o cabelo, senão, quando tiverem 40 anos, ficarão com o ar de quem tem 85.
Tenham cuidado com os conselhos que ouvem, mas sejam pacientes com aqueles que os dão. Os conselhos são uma espécie de nostalgia. Dá-los é uma maneira de trazer o passado, de o limpar, de o pintar por cima dos pedaços feios e de o reciclar por mais do que vale.
Mas não deixem de acreditar em mim quanto à protecção solar."
Baz Luhrmann, Everybody’s free (to wear sunscreen)

(retirado do blogue http://agatachristie.blogs.sapo.pt/)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

férias....

Já estamos em Julho (quase a meio de Julho) e como tal a escola já acabou.

Por aqui já se montam as mochilas para o próximo ano escolar. E que ano vai ser, tudo novidade. 
As miúdas mudam de escola. A Matilde, não só muda de escola como passa para o ensino secundário. 
O início do ano escolar prevê-se um pouco atribulado, não só pela mudança de escola, mas porque vamos estar a morar numa casa temporária, que fica um pouco afastada das escolas. 

Temos que sair desta casa até ao final deste mês. Por isso andamos a limpar, embalar, reciclar e destralhar mais uma vez!
Eu e as gémeas também já estamos a fazer a nossa mala para as férias, pois ainda antes do final do mês rumamos para terras mais quentes.
Tenho ainda que deixar as malas da Matilde prontas. Uma para o acampamento com os escuteiros, outra para quando for ter comigo.
Tenho ainda o sonho de deixar a mala do Jorge para férias, também pronta!

Fora da lista das tarefas, fica a casa para onde vamos morar. Tenho esperança que não me dê muito trabalho. Mas só vou descobrir no final de Agosto quando regressar das férias.

Já conto os dias para as férias, até porque sei que vão ser bem animadas.
Uma aventura juntar tanta gente numa casa, onde vai existir sempre gente a chegar e a partir!
Coitada da minha cunhada a quem desta vez cabe a missão de ser motorista de todos nós.

Eu já avisei os meus sobrinhos, quando eu estiver quase a explodir, por ter 7 ou 6 crianças à minha volta, só têm que me lembrar que na Irlanda naquele momento está provavelmente a chover!



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Conheço o sentimento. Sei o que é.
Desta vez é um pouco diferente.
Muito mudou, muito mudei.

A juntar a tudo isto, coexiste em mim a incerteza.
Não vamos simplesmente sair daqui para a casa nova. Ainda não. Existe ainda um meio tempo, sobre o qual não está nada definido.
Tento viver o dia-a-dia, sem pensar muito nesse tempo.

Concentro a minha energia, para preparar o recomeço do ano escolar e as férias, que ainda vamos ter.

A realidade é que temos que sair desta casa no final do mês de Julho.
O plano era sairmos mais para a frente. Mas a provar que o mercado imobiliário é louco na Irlanda, os planos tiveram que mudar. Os nossos senhorios vão regressar a Dublin e querem a sua casa de volta.

A nossa estará pronta mais para o Outono (assim esperamos), até lá temos que encontrar novo poiso.

E o sentimento que me acompanha é o da despedida.
Despeço-me deste sitio que me acolheu a mim e à minha família e que nos fez sentir integrados, ajustados.
Deixo eu amigas, deixa a Matilde, deixam as gémeas, muitas em comum, nas mesmas famílias.

Deixar amigos é acrescentar algo em nós. Como se passássemos a ser maiores. Acumulamos mais em nós para partilhar com os outros.

Mas ao mesmo tempo que sentimos que crescemos, sentimos a pena e a saudade de os deixar.
Como digo, não é um sentimento novo. Sei bem o que é viver com este sentimento, de peito insuflado.

Por isso, tudo tem um sabor doce e ao mesmo tempo amargo. Em tudo se saboreia o dom da partilha e da amizade e em tudo reconhecemos o sentimento da despedida.

Este ano quando for de férias, vou pronta para mais uma vez recomeçar.

Os planos são imensos e os desejos todos bons.
Até lá tenho muitos abraços para partilhar.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

o que mudamos

A prova que a vida nos muda, ou que mudamos com a vida é que, se à um ano atrás me contassem que isto ia acontecer, nunca iria aceitar!

Teria a certeza que seria diferente.
Primeiro duvidava na possibilidade da data.
Depois negaria a possibilidade de não estar presente.

O tanto que mudei num ano.
Neste caso, para mim é mais grave foram só alguns meses e sei precisa-los, foi em Dezembro que jurei que eu ia desistir!
E depois Janeiro e Fevereiro foram o culminar daquilo que eu já tinha decidido.

Quem me conhece bem, sabe que sou uma indecisa de primeira. Em relações pessoais então, ainda mais. Tenho sempre esperança (e sei que ainda a tenho).

Mas em Dezembro lembrei-me vezes sem conta da minha amiga Sónia, quando na altura eu com 17 anos, me ensinou a abandonar amizades que nos fazem mal. Que me ensinou que a amizade é como o amor, tem de ter sempre 2 vias.

Não há zanga, nem rancor, somente muita tristeza...

E sim eu mudei.
E que bom que é deixar nos mudar pela vida.




segunda-feira, 12 de junho de 2017

música

A participação da Matilde no National Children's Choir (http://www.nationalchildrenschoir.org/index.html)
foi até hoje das experiências que mais gostei, no que envolve a educação das minhas filhas.

As escolas, têm como opcção de programa lectivo, para a disciplina de música, nos 5º e 6º anos a participação no National Children's Choir. 

Tomei conhecimento desta iniciativa no ano em que a Tânia viveu aqui pertinho de mim. A sua filhota fez parte do Coro e eu na altura tive oportunidade de ir ver. Adorei.
Dois anos depois ainda adorei mais, porque era a Matilde que estava a participar.

O evento envolve escolas de toda a cidade. E na noite do espectáculo que é no National Basketball Arena em Tallaght, juntam-se várias escolas concentrando em cada evento mais de 1000 crianças.

Estes concertos acontecem por todo o país.
Nessa noite, eu e o Jorge fomos ver e adorámos.

Nessa altura fiquei a saber, que após esse evento cada escola, escolhe algumas crianças para cantarem o mesmo concerto, mas no National Concert Hall.
Confesso que nunca pensei que a Matilde fosse escolhida.
Mas a verdade é que foi.
E então eu e o Jorge tivemos oportunidade de assistir a este espectáculo.

A selecção é feita de todas as crianças da Irlanda que participam no National Children's Choir, ou seja, deixa de ser só com crianças de Dublin. Os concertos passam a ter cerca de 300 crianças a cantar, acompanhadas pela orquestra e dirigidos por um maestro.

A acústica da sala é maravilhosa e se o primeiro espectáculo é lindo, o segundo é ainda melhor.
As vozes estão muito mais afinadas, as melodias soam ainda melhor.
Nesta sala não nos é possível filmar, ou gravar nada, havemos de receber um CD com todo o espectáculo.

Adorei esta experiência, que a mim me enriqueceu tanto e que sei que à Matilde ainda mais.

Não consegui no entanto, deixar de imaginar o que seria uma iniciativa deste género em Portugal, a organização que implica e a coragem do próprio Ministério da Educação para que um evento destes faça parte do programa lectivo das escolas.
Quem ensaia as crianças o ano inteiro são os próprios professores, que muitas vezes nas suas limitações musicais, acabam por investir tempo ou dinheiro próprio, para melhorarem a sua formação musical e puderem de uma forma mais profissional orientar as crianças.


video



Todas estas gravações são do primeiro concerto.




quinta-feira, 8 de junho de 2017

é esta a única resposta

Os últimos tempos têm sido marcados por constantes ataques terroristas.
Infelizmente começam a ser tantos, que já existe alguma naturalidade sobre os mesmos.


Não existem formas para combater este tipo de terrorismo.
As medidas que se implementam transmitem um maior sentimento de segurança, mas na prática nunca suficientes.

Mas sem dúvida que após o ataque em Manchester, fazer um concerto como o que Ariana Grande fez é uma forma de mostrar que o terror não toma conta das pessoas.

Não sou fã da música de Ariana, mas admiro a iniciativa feita. Foram vários os artistas que compareceram e a multidão que os acolheu era imensa.

Será esta uma das formas de tentarmos todos em sociedade viver para além do terror que cada ataque nos causa.

Este concerto foi uma coisa boa e que falta nos faz coisas boas.





"People killin', people dyin'
Children hurt and you hear them cryin'
Can you practice what you preach?
Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love (Love)
Where is the love (The love) [2x]
Where is the love, the love, the love
It just ain't the same, old ways have changed
New days are strange, is the world insane?
If love and peace are so strong
Why are there pieces of love that don't belong?
Nations droppin' bombs
Chemical gasses fillin' lungs of little ones
With ongoin' sufferin' as the youth die young
So ask yourself is the lovin' really gone
So I could ask myself really what is goin' wrong
In this world that we livin' in people keep on givin' in
Makin' wrong decisions, only visions of them dividends
Not respectin' each other, deny thy brother
A war is goin' on but the reason's undercover
The truth is kept secret, it's swept under the rug
If you never know truth then you never know love
Where's the love, y'all, come on (I don't know)
Where's the truth, y'all, come on (I don't know)
Where's the love, y'all"