quarta-feira, 11 de julho de 2018

Solidariedade real

Das coisas que ainda me surpreendem. 

Trabalho num escritório onde a maioria somos mulheres, como tal é normal um pouco de intriga, coscuvilhice e diz que diz. 


Mas hoje no meio do nada, alguém explica que temos uma colega doente, que está ausente à já alguns dias e que vai continuar ausente, está a fazer exames para saber o que se passa e assim. 


Resultado: cada colega contribuiu com o que pode para a ajudar neste momento. 


Toda a gente se levantou e entregou o que achou por bem para ajudar. 


E a mim estas coisas ainda me surpreendem, e sabem bem, mesmo bem. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Estado actual...

Era para ser 1 mês.
Acabaram por ser quase 4 meses a investigar e a validar o passado dos candidatos que querem trabalhar na maior companhia área irlandesa.

Quando em 2011 deixei o mundo do recrutamento, quase que jurei que não voltaria a fazer o mesmo.
Muito mudou, muito mudei, mas continuei sempre com medo de voltar a esta área.
Mesmo quando mudei de país, tive sempre receio de concorrer neste sector.

Concorri para algo genérico na área administrativa. No fim da entrevista, a entrevistadora perguntou-me porque é que não voltava a fazer recrutamento.
Numa entrevista a pessoa nunca quer dizer que não quer e a verdade é que são mais de 10 anos de experiência nessa área.
Era um mês. Era uma experiência.

Nos primeiros dias ia morrendo.
Pensei que não era capaz de voltar a assimilar tanta informação em tão pouco tempo.
No fim do primeiro dia, só tinha vontade de desistir.

Estou numa equipa de mais de 40 pessoas, das quais cerca de 20 fazem recrutamento.
O projecto era para recrutar mais de 700 pessoas e colocá-las a trabalhar antes do Verão começar.

Cedo se percebeu que não se ia cumprir o objectivo e como tal o projecto ia demorar mais que um mês.
Em pouco tempo passei da fase do não percebo nada disto, para a fase em que estava a dar formação a outras pessoas para trabalharem no mesmo Sistema.
Ao fim de 2 meses, passei a ser a pessoa com mais conhecimento no Sistema, ainda que continuasse como temporária.

Quando o projecto se aproximava do fim, havia novos projectos a começar.
E tive a oportunidade de continuar na empresa, mas desta feita a fazer recrutamento para um projecto inovador.
A empresa quer formar pilotos e abriu um concurso, ao qual responderam mais de 17000 candidatos.
Daqui tem que se avaliar cada um, responder a cada um e escolher os mais aptos e motivados para um projecto que demora cerca de 2 anos de preparação.

Tudo isto provocou imensas alterações na nossa vida familiar.
Cada nova missão exigia novos acordos com o after school das miúdas, novas promessas sobre as visitas à casa das amigas, novas e maiores responsabilidades para a filha mais velha.
Tudo isto foi conquistado, sempre a 5. 
Temos agora também a vantagem de ter a minha Irmã por perto, o que ajuda até a manter a perspectiva, se estamos a fazer as opções mais normais ou nem por isso!

A verdade é que mesmo nos últimos anos em que trabalhei, foram sempre projectos em part-time, em que elas quase que não se apercebiam que eu trabalhava, porque chegavam da escola e a mãe estava em casa. 
As gémeas não tinham noção do que era andar num ATL.
A Matilde percebeu, que afinal estar sozinha tem muito mais responsabilidades do que o aparente prazer que apresenta.

Eu no meio de tudo ainda luto para não desesperar porque a casa não esta sempre como eu gosto, ou o jantar não está pronto à hora que eu gostava. Tenho a sorte de ter um marido que me apoia, tenta entender a minha louca frustração e que efectivamente faz equipa para que tudo corra da melhor maneira.

Tem sido uma montanha russa.
Mas voltar ao mundo do recrutamento, ainda que noutro país faz-me ter a certeza que as pessoas são iguais em todo o lado, que trabalhar como fornecedor é sempre mais difícil do que ser o cliente, que um escritório cheio de mulheres é sempre um ambiente com demasiadas hormonas femininas e  que a intriga e a coscuvilhice fazem parte de qualquer ambiente organizacional. No entanto existem algumas diferença de nível cultural entre os  2 países.
Primeiro que tudo serem mais de 20 pessoas a fazer recrutamento para um pico máximo de 700 admissões nos meses de Verão.
Depois ainda que exista urgência no trabalho, a hora da saída e os fins-de-semana são absolutamente sagrados, nunca a música “nine to five” me fez tanto sentido.
Depois são processos tão grandes, tão cheios de pormenores que pequenos erros são inevitáveis, a reacção ao erro por aqui também é  muito diferente. Não existe um tormento sobre os pequenos erros, a primeira reacção perante um erro é como o corrigir e evitar que volte a ocorrer, mas não se apontam dedos, não se gritam nomes, não se perseguem pessoas.
O trabalho é para se fazer, para se cumprir e não é nenhuma paixão. Paixão é o dia do pagamento em que se pode planear uma loucura. Ninguém tem medo de dizer que trabalha pelo dinheiro, o que torna a relação trabalho muito mais saudável. Não existe a idolatria ao chefe e à empresa.

Alguns destes pontos, já tinha descoberto no tempo que trabalhei no ginásio, mas estava integrada numa empresa pequena, com uma equipa reduzida e muito familiar.Agora o cenário mudou mas muitas das conclusões sobre a cultura empresarial em terras irlandesas são as mesmas que já tinha.

O objectivo depois deste grande projecto é avaliar o que será melhor para mim e para a minha família, mas com mais confiança. Costumava dizer aos meus alunos, que aconteça o que acontecer o conhecimento fica sempre connosco e passado estes anos todos, esta experiencia foi a prova disso.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

férias

Normalmente os blogues param pelas pessoas irem de férias.
Este vai parar por 30 dias, para eu ir trabalhar a tempo inteiro!

É verdade ao fim de quase 6 anos, vou trabalhar pelo menos 1 mês em horário completo e por isso antevê-se um aumento nos níveis de stress.

Em 2 dias as histórias são já muitas, até porque estou a trabalhar numa equipa gigante de recrutamento... mas muitas nunca vão sair da minha memória, até porque já se sabe, envolvem sempre a história de alguém, para além da minha.




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Aprender Espanhol

Desde que as miúdas vieram para esta escola que tinha vontade de frequentar as aulas para adultos de Espanhol.
Estávamos longe e não fazia sentido vir perder uma manhã para satisfazer o gosto que eu tenho por os sons espanhóis.

Quando o ano começou disse ao Jorge que ia frequentar as aulas. No entanto em cada semana às quartas-feiras surgia algo. Esta semana lá fui.

Sabia que ia gostar, a seguir ao italiano é o meu som favorito.
A forma como se enrola a língua, o som fantástico (para mim) de dizer pantálones.

O mais difícil é a escrita, os acentos são todos em locais diferentes dos nossos, escrever palavras com s, c ou z passa a ser uma aventura! Isto para não falar do h, j e g!!!
Mas os sons são fáceis e eu adorei.

El mundo es un  pañuelo!
O mundo é uma ervilha!


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Novo ano

Um novo ano que começou e um balanço sobre o ano que passou que necessitamos de fazer.

Foi um ano de conquistas. Sem dúvida que era essa a proposta e o desafio para 2017 e no fim pudemos afirmar que conseguimos.
Foi quando regressamos de férias em 2016 que estabelecemos o objectivo de comprar casa em 2017. Sabíamos que era um grande desafio, principalmente neste mercado. Em Fevereiro uma série de pequenos acontecimentos fizeram com que escolhêssemos a casa onde estou hoje. Foi esse o grande plano e o grande objectivo dos 10 meses que se seguiram.

Foi também em Fevereiro que a ideia de passar um mês em Itália ganhou luz. Também fruto de uma série de pequenas coisas, decidi ir passar um mês com a minha cunhada e os miúdos. Foi uma grande aventura e agora que olho para trás, foi sem dúvida um grande desafio para todos nós, mas no fim, foi uma aventura cheia de conquistas. Sinto que fiquei mais perto dos meus sobrinhos e só por isso toda a viagem valeu a pena. Claro que Itália é um país lindo, e como tal, ter a oportunidade de o conhecer é também uma grande mais-valia.

2017 foi um ano de sacramentos na nossa família. A Matilde fez o Crisma e as gémeas a sua primeira comunhão. E que bem que nos soube receber nestas alturas a família e os padrinhos das miúdas. Recebemos também inúmeros pequenos mimos que nos fazem ter a certeza que mesmo longe da nossa antiga paróquia em Portugal, fizemos lá amizades para vida.

Foi na altura do Crisma da Matilde, que a ideia da minha mana vir morar para a Irlanda surgiu. E antes da primeira comunhão das gémeas já eles estavam a morar a 30 minutos de distância de nós. Que maravilha, voltar a ter família pertinho.
Quem diria que 2017 nos traria também esta conquista.

Foi também em 2017 que tive que tomar algumas decisões bem difíceis e que ainda me causam alguma dor no coração. Mas é assim que descobrimos que mesmo com 40 anos ainda existem tantas decisões para tomar e tanto caminho para percorrer.

Pela primeira vez na minha vida despedi-me de um trabalho. E se eu gostei desta minha última experiência profissional. Mas mudar de vila, tornava impossível continuar a trabalhar no ginásio e como tal, entro em 2018 à procura de um novo desafio profissional.

Os últimos meses de 2017 foram de grande ansiedade e até um pouco desesperantes. Tínhamos mudado tudo nas nossas vidas, em função da casa que escolhemos e o processo de compra de casa neste país é de deixar qualquer um com os cabelos em pé.
No fim mesmo pertinho do Natal recebemos as nossas chaves, o que fez com que o Natal e o fim de ano tivessem um sabor ainda mais doce.

O ano chegou ao fim e os projectos para 2018 são já muitos e a ansiedade que vivemos nos últimos meses faz-nos ter vontade de tomar mesmo grandes decisões.
2018 será sem dúvida mais um ano de desafios e parece que eu vou ter de enfrentar um bem grande... continuar a desejar que os meus braços pudessem transpor Oceanos.


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Natal

As notícias em Portugal resumem-se a 2 temas, Rui Rio e Suppernanny. Até o meu Natal é mais interessante.

Pois é, já passou imenso tempo (daqui a bocado um mês) mas mais uma vez conseguimos ter um Natal óptimo.

Os meus pais chegaram na antevéspera de Natal e parecia eu, uma criança pequena, de tamanha excitação.
Era a chegada dos meus pais, era o pensar na casa, na mudança, em tudo.
Não me continha de tanta emoção.

Dividimos "as festas" e passamos a véspera de Natal na casa minha mana e o dia era por nossa conta.

O mais difícil foi na manhã de 25, convencer as miúdas a não abrir as prendas antes que os meus pais e a minha irmã chegassem!!! Elas não tiveram que esperar muito, porque eles vieram bem cedo, mas aquilo que para nós foi menos de 1 hora, para elas pareceu uma eternidade.

A maior surpresa para elas era uma caixa enorme que estava no meio da sala e que nenhum adulto, identificou como sendo da sua responsabilidade. Ora claro, se não era nossa só podia ser do Pai Natal!!!

Quando a abriram descobriram um trampolim (que ainda está à espera de poder ser montado) que as fez delirar. No entanto senti algum receio por parte das gémeas. Porque se o Pai Natal lhes deu o que elas não pediram (que queriam muito, mas não lhe pediram a ele), o que aconteceu às prendas que elas realmente lhe tinham pedido.

No fim perceberam que receberam tudo o que pediram. O que as levou a perguntar, como é que eu sabia que o Pai Natal não lhes ia dar aquilo... (a idade não perdoa e as dúvidas cada vez são maiores). Eu lá encontrei uma explicação e elas aceitaram, mas são cada vez mais os mas... que vão surgindo.

O resto do dia foi sempre em família, basicamente em redor da mesa.
Nesse dia tínhamos todos que ganhar forças porque no dia a seguir íamos carregar tudo para a casa nova!






quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dia do Obrigado

Hoje é dia de dizer Obrigada.
E talvez por ser hoje também o primeiro dia que tenho oportunidade de estar sozinha na minha casa nova, sinto-me imensamente agradecida.

Desde que emigramos este foi sem dúvida o nosso maior desafio. Comprar casa na Irlanda é um processo penoso (um destes dias vou tentar escrever como se desenrolou toda esta história, até pode servir de ajuda a alguém no futuro).

Mas hoje com uma boa parte da casa já montada sinto-me de facto feliz.
Feliz porque conseguimos.
Feliz porque isto nos dá uma estabilidade imensa.
Feliz porque agora existem muitos novos sonhos para construir.

Neste processo tenho muito a agradecer, ao meu marido que nunca desistiu, que em cada obstáculo procurava manter-se optimista, muito porque ele sabe que eu sou céptica e assim ele assume que tem de ser positivo pelos 2.
Agradecer às minhas filhas que voltaram a ter a vida delas de pernas para o ar e que tentaram sempre ser positivas e continuam a tentar conquistar tudo o que tiveram até aqui.

Agradecer à minha mana e ao meu cunhado, pois para além das milhentas histórias e queixas que ouviram nestes 10 meses, apoiaram-nos sempre, ao ponto de nos darem a certeza que sem tecto nunca havíamos de ficar.

Agradecer aos meus pais. Que este Natal andaram metidos numa mudança, quando eles vivem na mesma casa à mais de 40 anos. Eles praticamente mudaram-se no mesmo dia que nós para esta casa, no caso deles eram férias!

Agradecer ao resto da família e dos amigos, que ainda que nos achem loucos, por nos metermos numa aventura destas, nos apoiaram e tentaram manter-nos animados.

Agradecer a Deus, por me dar sempre os meios para realizar os meus sonhos. Sem dúvida é isso que desejo para 2018, que Deus me continue a abençoar, porque eu e a minha família conseguimos fazer o resto (eu disse que estava feliz... desculpem a presunção).