quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dia do Obrigado

Hoje é dia de dizer Obrigada.
E talvez por ser hoje também o primeiro dia que tenho oportunidade de estar sozinha na minha casa nova, sinto-me imensamente agradecida.

Desde que emigramos este foi sem dúvida o nosso maior desafio. Comprar casa na Irlanda é um processo penoso (um destes dias vou tentar escrever como se desenrolou toda esta história, até pode servir de ajuda a alguém no futuro).

Mas hoje com uma boa parte da casa já montada sinto-me de facto feliz.
Feliz porque conseguimos.
Feliz porque isto nos dá uma estabilidade imensa.
Feliz porque agora existem muitos novos sonhos para construir.

Neste processo tenho muito a agradecer, ao meu marido que nunca desistiu, que em cada obstáculo procurava manter-se optimista, muito porque ele sabe que eu sou céptica e assim ele assume que tem de ser positivo pelos 2.
Agradecer às minhas filhas que voltaram a ter a vida delas de pernas para o ar e que tentaram sempre ser positivas e continuam a tentar conquistar tudo o que tiveram até aqui.

Agradecer à minha mana e ao meu cunhado, pois para além das milhentas histórias e queixas que ouviram nestes 10 meses, apoiaram-nos sempre, ao ponto de nos darem a certeza que sem tecto nunca havíamos de ficar.

Agradecer aos meus pais. Que este Natal andaram metidos numa mudança, quando eles vivem na mesma casa à mais de 40 anos. Eles praticamente mudaram-se no mesmo dia que nós para esta casa, no caso deles eram férias!

Agradecer ao resto da família e dos amigos, que ainda que nos achem loucos, por nos metermos numa aventura destas, nos apoiaram e tentaram manter-nos animados.

Agradecer a Deus, por me dar sempre os meios para realizar os meus sonhos. Sem dúvida é isso que desejo para 2018, que Deus me continue a abençoar, porque eu e a minha família conseguimos fazer o resto (eu disse que estava feliz... desculpem a presunção).



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Existem dias que parecem não ter fim. Semanas que passam a ter muitas mais horas...

Quando se está à espera o tempo fica elástico.

Aí a ansiedade.
Ups...


It isn't anxiety, it is excitement.
But a very strange excitement...


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Árvore de Natal

Como por aqui já referi, este ano não sei se vou montar a minha árvore de Natal.
Alguma será, só ainda não tenho a certeza se será a que tenho montado nos últimos anos.

A primeira árvore que montei com o Jorge era toda perfeitinha, só algumas fitas bem gordas, anjos e velas! Era toda dourada e vermelha. Talvez ao fim de 2 anos o meu marido disse que toda a gente tinha árvores vermelhas e douradas e que era o que se via em todas as superfícies comerciais.
Mudamos as decorações para prateado e azul!
Com os anos descobrimos que também era do que mais se via.

E começamos então a nossa árvore do gelo!
Um pinheiro artificial verde com pontas brancas, umas bolas bem grandes de luzes brancas, bolas e flocos de neve. Era muito despida, mas nós adorávamos.

As miúdas cresceram e cada vez traziam mais coisas das escolas para pendurar na árvore. Confesso que na ânsia da árvore estar sempre perfeita resisti em pendurar os enfeites que elas traziam. Com o tempo acabei por ceder e por adorar cada um deles.

Ao virmos para a Irlanda, as lembranças aumentaram. Além das decorações que as miúdas faziam, passamos a receber muitas como lembrança de Natal. E a nossa árvore para além das bolas cheias de luz e de flocos de neve, passou a ter pais natais, bonecos de neve, renas, uma sagrada família, estrelas, corações, botões e até ninjas!
Cada uma das decorações que colocamos tem um significado.
Elas adoram porque sabem todos.

Por esta altura o meu facebook enche-se com fotos das árvores de tantos que guardo no coração, aumento sempre a imagem na ânsia de ver as pequenas lembranças que vamos mandando com os anos!
Fico de coração cheio quando as vejo, porque sinto que estou naquele Natal.

Muitas vezes habituamo-nos tanto à ânsia de ser perfeitos que não cedemos ao valor que as pequenas coisas podem significar.

Adoro a minha árvore porque já não é só minha e do Jorge.
É de verdade de nós os 5 e de tantos com quem partilho as graças pelo nascimento de Jesus.




Esta última foto apareceu ontem no meu facebook é do último ano que montámos a árvore na nossa casa em Portugal e deu me umas saudades...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Novembro parece infinito.
O frio chegou de vez.
Cada dia nos custa mais as esperas... e são muitas, entre a biblioteca, o Centro Comercial, as paragens dos autocarros, a escola da Matilde e a escola das mais novas.

Tudo isto porque continuamos à espera que nos liguem a marcar a dita "escritura".
A casa está pronta, mas faltam os papéis!
Já descobri mais alguns proprietários das casas vizinhas que estão na mesma situação que nós. E todos referem a mesma frase: "demasiado tempo", "é necessária mais paciência".
Todos fomos informados com as mesmas datas, o que nos leva a crer que sejam verdadeiras.
Mas existe sempre o mas...

O sistema imobiliário deste país é digno de um filme de terror.
Alugar casa é mais difícil que arranjar trabalho e como tal é possível que as pessoas cheguem a esta ilha e fiquem meses em Hotéis ou B&B, mesmo quando vêm com contratos de trabalho assinados.

No Verão quando começamos à procura de casa deste lado da cidade, fomos ver uma, mesmo pertinho da escola das miúdas, era uma casa de 2 quartos, cozinha juntamente com a sala e uma casa de banho. Éramos mais de 50 pessoas a ver a casa. O agente recebia o nome e todas as referências que, quem quer lugar casa neste país, tem de apresentar. Estamos a falar de contratos de trabalho, extractos bancários, recibos de ordenado e mesmo que se leve uma bula papal ou uma carta do Presidente da República, ainda assim pode não ser "escolhido" para ter o direito de pagar uma renda exorbitante!

Foi por sabermos de toda esta loucura (que com o final da crise se agravou ainda mais) que decidimos que permanecer na Irlanda passava obrigatoriamente por comprar casa.
Sabíamos que comprar casa também era um processo demorado e em que quem compra é sempre a parte mais fraca. Mas confesso que tinha esperança que o processo fosse mais ágil e menos burocrático!

Afinal comprar casa pode também ser um verdadeiro filme de terror.
No meio de tudo sei que tive sorte. Estamos numa casa onde nos tem sido possível renovar o acordo de aluguer mensalmente, o que torna possível neste momento não temer ficar sem tecto durante o Natal.

Mas quando para aqui vim, empacotei tudo aquilo de que não ia necessitar nos próximos 3 meses! Afinal já passaram 5... e nas caixas lembro-me que guardei comida, chocolates, detergentes até! Não faço a menor ideia em que estado exacto estará tudo e recuso-me a abri-las. Temos uma arrecadação debaixo das escadas da casa e as primeiras caixas que entraram para o fundo desse cubículo foram as decorações de Natal e a respectiva árvore, o resto está cheio de caixas até à porta da arrecadação.
Já disse que se aqui estiver no Natal prefiro comprar uma árvore nova do que tentar ir buscar a nossa!

Atenção não se trata de uma questão de preguiça, ou simples teimosia, não querer abrir as caixas. Nós estivemos 2 anos a viver numa casa sem mobília, ou seja, tudo o que estava na casa era nosso. Agora estamos a viver numa casa muito mais pequena e completamente mobilada. Não existe espaço para meter mais nada. Ao todo nesta casa temos neste momento 18 cadeiras e mais 4 bancos (isto para dar uma ideia).

Tudo isto tem o lado magnifico que é quando formos abrir as caixas tudo será uma surpresa. Um autentico Natal.

Devido ao facto de termos caixas de cartão espalhadas pela casa toda andamos constantemente a espirrar. Pois ainda que eu limpe, o pó acumulado no cartão alimenta de forma eficaz as nossas alergias!
Dado ter tanta coisa guardada, agora que chega a altura do Natal tem sido um desafio encontrar novos espaços para guardar as prendas das miúdas...

Enfim... quando esta aventura chegar ao fim teremos para sempre esta história para contar, sobre a maior adversidade que se apresenta a quem se desloca para a Irlanda, arranjar casa!

terça-feira, 21 de novembro de 2017

sinto saudades da minha filha mais velha

A Matilde começou este ano a escola secundária.
As diferenças são muitas, mas a nível curricular tudo continua a correr bem.

No entanto existe uma coisa, que todos estranhamos imenso, o horário.
Ela agora passa muitas mais horas na escola e quando chega a casa tem sempre trabalhos de casa para fazer. Como tal, são poucas as horas que ela se pode sentar comigo e com as irmãs a não fazer nada, a brincar, a conversar.

Sentimos imenso esta diferença.

A escola está a correr bem.
Estranhamos imensa coisa, ela estranhou ainda mais a ausência das amigas dos últimos 4 anos. É mais uma vez começar de novo e agora com 12 anos, o que como sabemos, vai cada vez custando mais.
Mas a nível pedagógico não temos nada a apontar à escola.
Eu tinha (e continuo a ter) imensa curiosidade sobre o ensino secundário daqui e até à data parece-me muito idêntico ao esquema do ensino primário. Simples, prático e muito organizado.

Vai começar esta semana os exames do primeiro período. Trouxe o calendário com as marcações. Cada professor marcou o seu exame com o professor responsável pelo primeiro ano, o que faz que em 8 dias tenha todos os exames, nunca tendo mais que 2 exames ao dia.
Nas semanas dos exames não há aulas, só fazem exames.
Se tiverem que ficar na escola entre exames, vão para uma sala designada para estudarem para os exames que vão ter a seguir.

A Matilde encontra-se no sétimo ano tem um horário simples, com entrada todos os dias à mesma hora. Os conteúdos programáticos são dados de forma simples, sem pressa. Daquilo que vou acompanhando do sistema português, parece-me que aqui se demora mais tempo a dar conteúdos, o que faz com que pareça que se anda atrasado, por comparação.

No sétimo ano, ela ainda entrega trabalhos feitos à mão. Valorizam mais a sua caligrafia que saber usar um computador. Se tiver que fazer uma apresentação ainda usa o método da cartolina com colagens, o que faz com que todo o trabalho seja dela.
Por aqui ainda se vai à biblioteca e é a própria escola que garante a inscrição dos alunos.

As aulas são de 40 minutos, sendo que as aulas práticas são 2 períodos seguidos.
Têm os seus cacifos onde deixam tudo o que não precisam para as aulas, incluindo os telemóveis, que não podem usar dentro da escola.

Por enquanto estamos satisfeitos, o sistema é simples, a escola acessível, em termos de comunicação com os professores.

Vamos continuando na expectativa, porque esta aventura ainda agora começou.



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Não faço a menor ideia de quando a casa nos vai ser entregue e ainda que reze a todos os santinhos para que estejamos na casa antes do Natal, não existem garantias.

Mas desde que decidimos comprar a casa que desejo montar um quarto bem especial para as gémeas.

Elas já escolheram as camas e andam desde sempre a dizer querem um Kawai style bedroom.

Existem coisas de nos fazer perder a cabeça.








quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Qual o momento que mudou a sua vida?

É esta hoje uma das perguntas lançadas pela Rádio Comercial.
Acredito tanto nisto.
São momentos, decisões... na altura decidir se ficamos em casa ou vamos com aquele grupo. Se arriscamos em fazer algo completamente diferente, ou se fazemos o que todos esperam de nós.
Se nos contentamos em ficar em casa a ver TV, ou se perdemos tardes inteiras a trabalhar para os outros.
Não estou a falar do dia em que casamos, em que acabamos o curso, em que os nossos filhos nascem.
Esses dias são culminar de muitos outros. Houve muitas decisões tomadas para que esses dias se transformassem em marcos na nossa vida.

Consigo lembrar-me de alguns momentos em que tenho a certeza que se tivesse tomado outra decisão a minha vida não era o que é hoje;
* a clara decisão sobre a minha vida vocacional (tinha eu 17 anos, na altura);
* a decisão de ir estudar para Setúbal e tirar GRH (era suposto ir para Lisboa estudar Comunicação);
* o meu namoro com o Jorge e ter sido ele o primeiro namorado que assumi perante os meus pais;
* a decisão de dedicar tardes, noites, dias a uma causa social que ainda hoje me enche o coração;
* a decisão constante de permanecer por 12 anos numa mesma empresa (demasiado tempo sem dúvida);
* a decisão de nunca mais querer voltar a fazer o que fiz durante esses 12 anos;
* a decisão de vir conhecer a Irlanda, o que levou à decisão de querer vir viver para aqui...

Tantas, tantas pequenas decisões que nos tornam quem somos.
E não param, continuamos para sempre a toma-las, a decidir o nosso caminho, o nosso presente e a definir o futuro.
Sempre tive muito presente estes e tantos outros momentos e em cada um deles tenho a certeza que fui eu que decidi o que fiz.
Claro que existem imensas outras situações na vida em que sentimos que não decidimos nada, que somos fruto de uma série de acontecimentos... mas é bom perceber que mesmo assim decidimos sempre o que fazer a partir desse ponto.