sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

mais histórias da Madalena

Ontem chegada a casa a rapariga vinha delirante, já sabia identificar no mapa onde ficava a Irlanda, Portugal e África.

Feliz da vida dizia-me:
- Mãe, e assim já me podes dizer do Caldo Verde!?

Juro que fiquei uns bons minutos baralhada e fazer perguntas e mais perguntas no sentido de perceber o que é que ela queria dizer.
Ela super frustrada aumentava o tom e dizia:
- Lembras-te tu ontem falaste do Caldo Verde? Onde fica mãe!?

E então foi aí que percebi que ela estava a falar de Cabo Verde!!!
Tínhamos de facto estado no dia anterior a falar de Cabo Verde e não da sopa tradicional portuguesa!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

actualidade

Tenho lido muitos comentários sobre a situação na Grécia e fico triste sempre que se fala de uma forma banal e depreciativa do povo grego, como um conjunto de mandriões e corruptos e fico ainda mais triste quando o oiço pela voz de portugueses.

Nesta minha luta (porque de facto está a ser uma luta) de procurar trabalho, fui a uma entrevista a uma agência de recrutamento irlandesa, uma pequena empresa local.
A entrevista foi serena e correu bem (sem resultados ainda, mas bem!) e a dada altura a entrevistadora afirma, ela não perguntou, afirmou "pois aquilo em Portugal está muito mal. Deve ser difícil!"... ora juro que fui completamente apanhada de surpresa com a afirmação e a minha cara deve ter transmitido de facto o estado de perplexidade em que me encontrava e simplesmente balbuciei algo afirmativo e mais nada.

Quando dali saí e ainda que tenha simpatizado com a pessoa que conduziu a entrevista, chamei-lhe mentalmente todos os palavrões possíveis para designar a comum "filha da mãe"!!! Afinal, quem se julgava ela para falar do meu país!? E do que por lá vai bem ou mal!?

Pois é, é que quando se fala mal do nosso país, ou alguém o julga seja por que motivo for, passa a estar a falar dos nossos pais, dos nossos familiares, dos nossos amigos... e esses vivem a vida do dia-a-dia, não andaram a desviar milhões, a decorar apartamentos em França e nem sabem o nome dos paraísos fiscais.

E é por isto que eu fico triste quando oiço portugueses num modo geral a falar de forma depreciativa do "povo" grego!
É porque gregos já fomos todos...


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Johnnie Fox's

Como noite de despedida da Rita por terras irlandesas, tínhamos de ir conhecer algo novo, como tal fomos até ao pub mais alto da ilha, o Johnnie Fox's - http://www.jfp.ie -.

Depois de esquecer quanto iria custar a experiência, essa parte é sempre a que custa mais em qualquer decisão relacionada com sair à noite nesta terra, chegadas ao sitio só tenho coisas positivas a dizer sobre o local.

O pub é super pitoresco.
Mas quando digo pitoresco não achem que é uma coisa pequenina e mimosinha!!!
É pitoresco no real sentido da palavra.
Várias salas para beber uma pint, ou até um chá perto de uma lareira, com música ao vivo para melhor apreciar esta cultura.

Nós fomos experimentar o serão tradicional, composto por comida bem saborosa, música irlandesa ao vivo e irish dance.
Numa sala aberta, com mesas corridas e uma decoração que nos lembra de facto os tempos antigos. O tecto todo ele corrido de barras de madeira, tem inúmeros penicos de loiça pendurados. Pela sala podemos ver as loiças típicas da época, exactamente iguais às nossas, as bacias antigas, os jarros, os candelabros, os pratos e até têm cães de loiça! Na lareira a roupa está pendurada!!! Enfim toda a conjugação da casa da minha avó, faltando aqui no pub, o sofá de pele vermelho e a mesa e as cadeiras de fórmica da cozinha!

A comida é de facto bastante saborosa. De entradas provamos os mexilhões, uma especialidade da casa, o que só e sem mais nada já justificam uma visita ao pub.
De prato principal eu comi borrego assado e estava muito bem cozinhado, mas ainda assim a nível de temperos prefiro o nosso.
A sobremesa é que senti-me tentada pela especialidade da casa do bolo de chocolate com whisky e esqueci me que nestas terras se era uma especialidade teria certamente fruta por dentro, o que de facto tinha.  Existia no bolo umas mini passas muito, muito moles que me fizeram desejar uma mousse de chocolate caseira.

O grupo tocava música irlandesa, num conjunto de 2 violas, 1 arcodeão e 1 violino, com os guitarristas a cantarem naquela voz típica de pub. Cada um deles tinha um copo ao lado e iam tocando e bebendo, as raparigas bebiam guiness e os homens whisky... lá está "àgua é para meninos".

Quando entraram os bailarinos para o espectáculo de irish dance, tenho a dizer que fiquei maravilhada, a técnica, a energia o movimento. Nunca antes tinha assistido ao vivo a um espectáculo de irish dance e fiquei de facto muito bem impressionada.

Enfim...
Um pub 5 estrelas.
Que vale a pena visitar e fundamental no conhecimento da "cultura" irish!








segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

partidas

Quando cheguei à Irlanda conheci a Rita.
O como nos conhecemos fica entregue à teoria da mãe da Rita, que falava sobre tal facto sempre de forma misteriosa, anunciando, "nada acontece por acaso", como que a garantir que o que nos juntou tinha uma justificação!

Mas a verdade é que vim para a Irlanda conhecer uma família do Barreiro.
Uma família com a qual já me havia cruzado, mas que não conhecia.
Os pais da Rita e os meus também já se conheciam, mas sem se conhecerem e muito menos tendo conhecimento que um dia aquilo que os ia ligar era terem as filhas a morar a um oceano de distância deles e a 30 km uma da outra.

E desde o dia em que a Rita me convidou para a sua casa, até ontem de manhã, aquela casa em Lucan era um bocadinho minha, tal como esta onde estou era um pouco deles.

Quando cá cheguei foi um conforto muito grande ter uma casa com gente que sabia partilhar. Que deixava os miúdos brincarem e correrem, onde se abria a mesa para todos comermos. Onde era garantido que havia sempre paródia e alegria.
Vivemos algumas aventuras, em 17 meses podemos dizer que vivemos muitas.
Conhecemos muitos sítios, partilhamos muitos pensamentos, desabafos, sonhos!

Somos pessoas muito diferentes e acredito até que aquilo que nos aproxima é menor que aquilo que nos diferencia. Mas é só menor em número, porque o que nos uniu sempre foi o gosto pela amizade, a importância da família e o termos a certeza que acompanhadas somos sempre melhores pessoas que sozinhas!

Falávamos muito, riamos muito e tínhamos ideias diferentes em muita coisa, mas nunca nos zangávamos, porque de facto acho que a Rita não se zanga com ninguém!

Esta minha família na Irlanda partiu ontem, atravessou o resto do Oceano e foi morar para o lado de lá, para um Mundo Novo.
Se com toda a certeza a experiência da mudança para cá os ajudou, também certamente os cansou muito. Começar tudo outra vez. Arriscar mais uma vez. Certamente carregados de esperança, mas com muitos mas...

Eu ainda estou na fase em que os continuo a sentir aqui perto de mim.
Na fase em que uma destas tardes os vou voltar a ter aqui em casa.
Na fase em que ainda temos tanta ilha para conhecer.







sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Conversas

Ontem ao caminharmos da escola para casa, as gémeas traziam uma amiga e estavam a contar histórias. Uma das histórias era sobre o facto do Guilherme quando cá esteve ter visto repetidas vezes o mesmo filme (para elas nesta altura da vida isso já é muito esquisito!!!).

E a Madalena explicava à Eve:
 - My godmother and my godfather....

e de repente parou, soprou e disse:
- ok, for you he is just my cousin!!!!

E eu olhei para ela, sorri e pisquei-lhe o olho.

Quem me conhece sabe que nunca deixei que ninguém fosse tia, ou prima, ou avó emprestada das minhas filhas. Sempre achei que todos temos um nome e um papel, não precisamos de usar terminologias determinadas para mostrar afectos... mas agora que mudámos para aqui de facto, muitas vezes é difícil explicar quem é tanta gente na nossa vida!!!

Às vezes dava realmente jeito aumentar o número de tias, primas, avós e afins...



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

post explicativo

Ter emigrado à mais de um ano e investir na língua do novo país, faz com que cada vez perca mais a noção da minha língua e daquelas regras bem boas da língua portuguesa!

Sempre adorei escrever, talvez até porque adoro falar, mas nunca fui excelente... os erros por vezes andavam comigo... mas agora já não é uma questão de alguns erros, é mesmo desaprendizagem!

Não sou a única aqui em casa com este problema... mas talvez seja aquela a quem isto doí mais...

Por isso "please forgive me"...




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

42 anos

Sábado juntamos alguns dos amigos portugueses que por aqui temos e apagámos as velas dos 42 anos do Jorge.

Foi uma festa simples, sempre à volta de uma boa conversa.